Confirmaram-se as perspetivas de regresso da economia portuguesa à tendência de recuperação, mas sinais contraditórios lançam mais incertezas sobre a evolução nos próximos meses. Do lado da procura, há perspetivas de uma retoma mais robusta do consumo; do lado da oferta, as empresas enfrentam custos crescentes e perturbações nas cadeias de abastecimento.

Já está disponível aqui a publicação trimestral de análise de conjuntura Envolvente Empresarial – Análise de Conjuntura, referente ao terceiro trimestre de 2021, uma iniciativa conjunta AEP, AIP e CIP.

Nesta edição realçamos:

  • A recuperação do crescimento em cadeia para 4,5% no segundo trimestre, após a contração de 3,3% no trimestre anterior, a refletir o levantamento progressivo das restrições às atividades.
  • O facto da retoma do PIB no segundo trimestre se dever ao retorno a um contributo positivo da procura interna, em virtude, sobretudo, da evolução do consumo.
  • A melhoria, nos meses de julho e agosto, do indicador coincidente do Banco de Portugal para a evolução homóloga tendencial da atividade.
  • A trajetória mais irregular do Indicador de Clima do INE, em agosto a setembro, que sugere alguma desaceleração de atividade no terceiro trimestre, apesar das subidas expressivas na confiança dos consumidores.
  • A manutenção da projeção de 4,8% para o crescimento da economia portuguesas em 2021, constante do Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal.
  • O alerta, nesse boletim, para o risco de acumulação de situações de maior debilidade financeira, que podem traduzir-se num aumento das empresas não viáveis face a 2019.
  • A recomendação do Banco de Portugal de que processo de ajustamento continua a requerer o apoio das políticas económicas, bem como o esforço de capitalização das empresas para que retomem em pleno as suas atividades.
  • A constatação, pelo Banco de Portugal, dos riscos de agravamento dos constrangimentos do lado da oferta, ainda que, na sua apreciação, o balanço de riscos em torno das projeções para a atividade esteja enviesado em alta.
  • Os riscos em alta para a inflação, associados a uma recuperação mais forte da procura e a um aumento mais significativo dos custos das matérias-primas.
  • A dinâmica de aumento das declarações de insolvência em Portugal, de acordo com dados experimentais revistos do Eurostat, no segundo trimestre.
  • A evolução das exportações de bens nos primeiros oito meses do ano, com um aumento homólogo de 21,5% face a 2020 e de 4,1% face a 2019.
  • As perdas homólogas significativas, em 2021, do excedente da balança de serviços, embora progressivamente menores à medida que o ano vai avançando.
  • A desaceleração marcada do stock de crédito concedido às Sociedades não financeiras Privadas, apenas ligeiramente atenuada em julho.
  • A redução da taxa de desemprego registada no segundo trimestre para 6,7%, face ao trimestre anterior (7,1%) e o crescimento de 2,8% do emprego.
  • A tendência geral de subida em cadeia dos índices de preços das matérias-primas no terceiro trimestre, segundo dados do Banco Mundial.
  • A forte subida homóloga dos preços do gasóleo (37,2% antes de impostos e 18,2% no preço final), no terceiro trimestre, com uma aceleração expressiva em setembro.
  • O recuo na cotação média do euro face ao dólar, no terceiro trimestre.
  • A continuação da deterioração (embora menos marcada, no segundo trimestre) do indicador de competitividade-custo da economia nacional face aos 37 principais parceiros.
  • O desagravamento, no segundo trimestre, da dívida bruta não consolidada do setor não financeiro em percentagem do PIB, transversal ao setor público, sociedades não financeiras e particulares.