A travagem brusca da economia portuguesa no segundo trimestre, a degradação, nos meses mais recentes, de diversos indicadores e a acumulação de riscos tornam as perspetivas mais sombrias para os próximos meses. Contudo, as exportações e o emprego continuam a resistir a uma conjuntura mais sombria.

Já está disponível aqui a publicação trimestral de análise de conjuntura Envolvente Empresarial – Análise de Conjuntura, referente ao terceiro trimestre de 2022, uma iniciativa conjunta AEP, AIP e CIP.

Nesta edição realçamos:

  • A segunda subida consecutiva das taxas de juro de referência do BCE, desta vez de 0,75 pontos percentuais.
  • As medidas tomadas, em setembro, pelo Governo em resposta ao aumento de custos e de preços, no quadro dos programas “Famílias Primeiro”, “Energia para Avançar” e “Pacote de Apoio à Fatura Energética das Empresas”.
  • O forte abrandamento em cadeia do PIB, para apenas 0,1% em volume no segundo trimestre, refletindo já os efeitos da guerra na Ucrânia.
  • A manutenção da trajetória de aceleração e forte crescimento das exportações no segundo trimestre, destacando-se a recuperação do turismo.
  • O abrandamento, em agosto, do indicador coincidente do Banco de Portugal (pelo quarto mês seguido), de forma mais intensa, apontando para uma perda de dinamismo no terceiro trimestre. Igual tendência é evidenciada pelo indicador diário de atividade económica, com dados mais recentes.
  • O recuo, em agosto e setembro, do indicador de clima económico do INE, para o qual contribuiu, em setembro, a queda significativa do indicador de confiança dos consumidores, atingindo o mínimo desde o início da pandemia.
  • As previsões de crescimento real do PIB em 2023, de 1,3% no cenário macroeconómico da Proposta de Orçamento do Estado e de 0,7% no World Economic Outlook do FMI.
  • As previsões de inflação em 2023, do Governo (4,0%) do FMI (4,7%) e do Conselho de Finanças públicas (5,1%).
  • As considerações finais constantes do Boletim do Banco de Portugal, relativamente ao enquadramento externo e financeiro mais desfavorável e ao choque sobre o poder de compra das famílias, que implicam uma evolução mais adversa do PIB nos próximos trimestres.
  • O aumento da criação líquida de empresas, em termos homólogos, até ao terceiro trimestre de 2022, segundo dados revistos da Informa D&B. Contudo, a variação em cadeia, no segundo trimestre, do indicador de declarações de insolvência, constante dos dados do Eurostat, sinaliza já um aumento da vulnerabilidade das empresas nacionais.
  • Os fortes aumentos, no período de janeiro a agosto, das exportações e importações de bens (25,9% e 37,7%), a refletir em grande parte um efeito preço, sobretudo nas transações de bens energéticos, e com um agravamento acentuado do défice comercial de bens.
  • O aumento homólogo muito expressivo, no período de janeiro a julho, do excedente da balança de serviços, devido a um crescimento nominal das exportações (84,1%) acima do das importações (41,2%).
  • A subida ainda mais acentuada das taxas Euribor no terceiro trimestre, atingindo máximos de vários anos em setembro (2,233% no prazo dos 12 meses, o máximo em mais de uma década).
  • O abrandamento do stock de crédito total concedido às sociedades não financeiras privadas.
  • A redução da taxa de desemprego, para 5,7%, no segundo trimestre, que constitui um novo mínimo da série, iniciada em 2011.
  • Os sinais mais recentes dados pelas estimativas mensais de agosto do mercado do trabalho do INE, com aumentos da população empregada, mas também da população desempregada e com a taxa de desemprego estabilizada em 6% nos últimos três meses.
  • A correção em baixa da maioria dos índices de preços das matérias-primas (com exceção do da energia), a refletir o abrandamento da procura mundial.
  • A subida do preço do gás natural (variação de 90,1% na Europa, no terceiro trimestre).
  • A cotação média do euro face ao dólar, que prosseguiu em queda no terceiro trimestre, cotando já, em setembro, abaixo da paridade e num mínimo de quase 20 anos.
  • O cenário orçamental que resulta da Proposta de Orçamento do Estado para 2023, com uma redução do défice público de 1,9% do PIB em 2022 para 0,9% em 2023. A consolidação orçamental resulta de uma subida do rácio da receita pública no PIB de 44,1% em 2022 para 44,5% em 2023 (embora com uma descida da carga fiscal de 35,6% para 35,1%) e de um recuo do rácio da despesa pública de 46,0% para 45,4% (com origem nas prestações sociais, nos subsídios e nas transferências de capital).