História

O ano de 1974 é não só sinónimo de um novo ciclo político em Portugal mas também de uma nova realidade no que às empresas e à sua organização diz respeito.

Em julho de 1974, a CIP – Confederação da Indústria Portuguesa surge como resposta dos empresários à necessidade de promoção e defesa da livre iniciativa e da atividade privada.

Um documento de Agosto de 1974 expressa de forma muito clara o ambiente da época e sintetiza os objetivos estratégicos da CIP: “A CIP nasceu como expressão do pensamento democrático dos empresários, da capacidade de organização dos industriais e do seu sentido das responsabilidades, constituindo-se como um bastião contra os projetos de coletivização da economia e da defesa dos interesses das várias Associações no sentido de ser assegurada a democracia industrial, baseada na livre iniciativa e no âmbito de uma fecunda economia de mercado”.

A nova Confederação representa, através dos seus Associados, cerca de 47 mil empresas portuguesas, e chama a si a responsabilidade da defesa dos interesses das várias Associações que a compõem.

Na sua declaração de princípios, a CIP assume-se, assim, como defensora de uma democracia industrial que conduza à efetiva economia de mercado.

António Vasco de Mello é eleito Presidente, cargo que manterá até 1981. Segundo as suas palavras, em maio de 2007, «nos primeiros tempos não havia tempo para pensar com muita profundidade o que se estava a fazer: era só uma certa intuição, talvez também uma certa dose de teimosia e perseverança. Já havia então uma noção muito clara, pelo que se via na Europa e também nos Estados Unidos, da importância e valor para um País (que se arrogava de “Finalmente Livre”) de nele haver um sector privado ativo e dinâmico na sua economia. Só nas áreas politicamente afetadas é que essa questão era contestada – mas acreditava-se que isso acabaria por desaparecer em consequência da força das realidades económicas, o que de facto veio a acontecer. Afastei-me da CIP quando percebi que essa “guerra” estava ganha.»

O percurso da CIP


  • A CIP é criada e admitida como membro de pleno direito da Organização Internacional dos Empregadores, que agrupa 87 Federações Patronais de 79 países. A OIE, com sede em Genebra, tem estatuto consultivo junto das Nações Unidas e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e, nesta última, desempenha a função de secretariado do sector patronal.

  • Na madrugada do dia 12 de março, a sede da CIP é assaltada e saqueada, tendo sido roubados ficheiros, processos jurídicos e projetos de estudo sobre o desenvolvimento da economia. Os assaltantes destruíram telefones, máquinas de escrever, arquivos, mobiliário e material de impressão. O Presidente da CIP declara, na altura: “Sem um sector privado dinâmico e eficiente não é possível conceber, manter e garantir a independência nacional, pois a ausência de iniciativa privada significará a destruição da indústria nacional, a que se seguirá a liquidação de todo o sistema económico”.Em dezembro, a CIP organiza o I Congresso da Indústria Portuguesa.

  • Abre a Delegação da CIP no Porto e é lançado, ainda nesse ano, o inquérito de conjuntura industrial, que passou a ser emitido com uma periodicidade bimestral.

  • Realiza-se, no Porto, o I Encontro dos Industriais Portugueses, que reúne mais de vinte mil empresários em defesa da iniciativa privada e é apresentado o documento “As Confederações perante um projeto de dimensão Nacional – Adesão de Portugal à CEE”, subscrito pelas três Confederações Patronais, CIP, CAP e CCP.

  • Tem lugar o I Congresso das Atividades Económicas, promovido pela CIP, CAP e CCP, e é criado o Gabinete da CIP para a Integração Europeia e de apoio à Exportação. Em novembro, na sequência do I Congresso das Atividades Económicas, é criado o Conselho Nacional das Empresas Portuguesas – CNEP, constituído pela CIP, CAP e CCP, organismo que assumiu por objetivo coordenar as posições das três Confederações a nível global e prosseguir na defesa da economia de mercado e da livre-iniciativa empresarial.

  • Com o intuito de desenvolver as atividades ligadas à promoção do comércio internacional, a CIP assina um protocolo de colaboração com o World Trade Center – Lisboa e patrocina a constituição do Conselho Empresarial Portugal-Brasil.

  • Surge, em janeiro, a publicação “Indústria em Revista” e, em julho, Pedro Ferraz da Costa assume a presidência da CIP. Nesse mesmo ano realizam-se o II Congresso Nacional das Atividades Económicas e a I Reunião Nacional de Exportadores (RENACEX). No final do ano, na sequência de uma missão empresarial a Bruxelas, liderada por Pedro Ferraz da Costa, a CIP é admitida como membro de pleno direito da UNICE – União das Indústrias da Comunidade Europeia, apesar de Portugal não ser ainda um país integrado na Comunidade Europeia.

  • O Porto recebe o II Congresso da Indústria.

  • Portugal adere à CEE – Comunidade Económica Europeia e a CIP passa a estar representada no Comité Económico e Social Europeu (CESE) em Bruxelas. Realiza-se em maio o III Congresso da Indústria, cujo tema central foi a reprivatização da economia portuguesa.

  • Dá-se a filiação da Associação Industrial Portuense na CIP, o que contribui, de acordo com o pedido de filiação desta Associação, para a “unificação formal do empresariado industrial português”. Nesse mesmo ano, a CIP torna público o documento “Modernização e Reconversão da Indústria Portuguesa”, no qual sublinha mais uma vez a necessidade de se criarem condições de confiança aos investidores nacionais, promovendo e garantindo o regular funcionamento do mercado e da concorrência, a par de um horizonte de estabilidade política adequado à dimensão dos desafios que Portugal tinha pela frente.

  • Entre a CIP, a CAP e a CCP é formalmente constituído o CNEP – Conselho Nacional das Empresas Portuguesas, cuja assinatura tem lugar a 15 de janeiro de 1990. Com o CNEP, pretende-se “dar um passo fundamental no reordenamento do associativismo empresarial em Portugal, passando a representar a cúpula do empresariado português e a facilitar a adoção de ações concertadas entre as três Confederações”. O Texto de Apresentação Pública do CNEP realça que, “em sede de concertação social, as 3 confederações patronais são reconhecidas como únicos parceiros de diálogo em representação de 200.000 agricultores, 47.000 empresas industriais e 250.000 empresas do comércio e serviços, responsáveis por um volume de emprego, no País, que ultrapassa os 3 milhões de postos de trabalho, ou seja, mais de ¾ da população ativa portuguesa”.

  • Houve 3 temas que marcaram a atividade da CIP: a Presidência Portuguesa da CEE, a entrada em funcionamento do Conselho Económico e Social (CES) e a procura de uma solução unitária para o movimento associativo empresarial em Portugal.

  • Dando continuidade ao processo de procura de uma solução unitária para o movimento associativo empresarial em Portugal, foi assinada, a 27 de maio de 1993, a declaração conjunta intitulada “Reforçar a Estrutura Associativa Portuguesa – Potenciar a Intervenção da Confederação da Indústria Portuguesa”. O documento é subscrito pela CIP, pela AEP, pela AIP e por 35 Associações. Nesse mesmo ano, a CIP alarga o seu âmbito, passando representar, interna e externamente, as atividades nacionais de produção, distribuição ou venda de produtos ou serviços, na globalidade dos seus aspetos socioeconómicos e passando a abranger também as associações representativas desses sectores e ainda as empresas, pertencentes a esses sectores, em que não estejam constituídas Associações.

  • É assinado o Código de Boas Práticas Comerciais, documento que resulta de mais de dois anos de negociações entre a CIP e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), visando a necessária melhoria do relacionamento entre a Indústria e a Distribuição.

  • Comemoram-se os 25 anos da Confederação da Indústria Portuguesa. No discurso proferido pelo Presidente da Direcção, no jantar realizado a 4 de maio, para assinalar aquela data – e que reuniu os fundadores da CIP, os órgãos sociais dos últimos 25 anos e uma longa lista de colaboradores – é feito um balanço do que se conseguiu e do que falhou em relação a um número muito restrito de grandes objetivos e áreas de atuação: o sistema político, o sistema constitucional, a integração europeia e o sistema económico. A concluir a sua intervenção, Pedro Ferraz da Costa afirma: “À medida que os desafios da participação na União Económica e Monetária se forem tornando mais evidentes, mais clara se tornará a razão desta nossa opção por nos centrarmos na melhoria das condições de enquadramento da atividade económica, num melhor funcionamento dos mercados e na competitividade do País, bem como na manutenção dos equilíbrios macro-económicos fundamentais, que aliás, numa ótica nacional, se reduziram. Portugal integra o grupo de países fundadores da Moeda Única. É portanto altura de se retomar publicamente a questão das implicações e das alterações estruturais que devemos fazer”.Ainda no âmbito destas comemorações, a CIP realiza um Congresso nos meses de Junho e Julho no Centro de Congressos da FIL e no Europarque, respetivamente. A síntese deste Congresso reflete as posições da indústria portuguesa sobre a necessidade de reformas estruturais, como forma de poder haver resposta nacional positiva à globalização da economia.Nesse mesmo ano, a CIP é agraciada com o título de Membro Honorário da Ordem de Mérito Agrícola, Comercial e Industrial (Classe de Mérito Industrial), pelo Presidente da República.

  • Rui Nogueira Simões sucede a Pedro Ferraz da Costa como Presidente da CIP e toma posse numa cerimónia que contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Guterres, órgãos sociais, representantes das associações, personalidades da vida política, económica e sindical.

  • Tem lugar a constituição do Conselho Empresarial de Portugal (CEP), a 19 de fevereiro, englobando num único organismo CIP, CAP, CCP, AEP e AIP. Reforma e modernização do Estado e a reforma fiscal são as principais reivindicações do CEP.No dia 1 de abril falece em Lisboa o Presidente da CIP. Rui Nogueira Simões tinha 72 anos de idade e uma vida exclusivamente dedicada às grandes causas do empreendimento português. Este triste acontecimento obrigou a uma reestruturação da direção da CIP, tendo Francisco van Zeller, até então Vice-Presidente, ocupado o lugar de Presidente, para o qual seria posteriormente eleito.

  • São aprovados novos estatutos para a CIP, prevendo a criação do Conselho Nacional, constituído pelos Presidentes das Associações e empresas filiadas na CIP e por dez personalidades a indicar pela Direção.

  • António Saraiva é eleito, a 7 de janeiro, Presidente da CIP – Confederação da Indústria Portuguesa.Também nesse ano é assinado um acordo entre a CIP – Confederação da Indústria Portuguesa, a AEP – Associação Empresarial de Portugal e a AIP-CE – Associação Industrial Portuguesa Confederação Empresarial, passando a CIP – Confederação Empresarial de Portugal a assumir as funções de natureza institucional, de representação e de “lobby” que eram desenvolvidas por aquelas três entidades.Em outubro, são aprovados novos estatutos segundo os quais a CIP integra as confederações, federações, uniões, associações e câmaras de comércio e indústria em que se organizem as empresas, bem como empresas de todos os sectores de atividade, que a ela adiram, nos termos previstos na lei e nos estatutos.

  • António Saraiva é eleito Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal tendo José António Barros como Presidente da Mesa da Assembleia-Geral e Jorge Rocha de Matos como Presidente do Conselho Fiscal.

  • António Saraiva é reeleito Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. Os Órgãos Sociais da CIP passaram a incluir uma Comissão Executiva com os seguintes elementos:

    • António Saraiva (Presidente da Direção);
    • José António Barros (1.º Vice-Presidente da Direção);
    • Armindo Monteiro (2.º Vice-Presidente da Direção);
    • José Eduardo Carvalho (3.º Vice-Presidente da Direção);
    • Carlos Cardoso (4.º Vice-Presidente da Direção);
    • João Almeida Lopes (5.º Vice-Presidente da Direção);
    • Rafael Campos Pereira (6.º Vice-Presidente da Direção).
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