A mais antiga fábrica de conservas de peixe em laboração contínua no mundo

Lavra, Matosinhos  ·  Fundada em 1853

A EMPRESA EM NÚMEROS

1853

Fundação
mais de 170 anos de história

15 anos

Antiguidade média
por colaborador

+50

Mercados externos
nos cinco continentes

230

Colaboradores
na unidade de Lavra, Matosinhos

50 M latas

Produção anual
~ 200 000 latas/dia

14

Marcas internacionais
portefólio diversificado

80%

Mulheres
da força de trabalho

50%

Exportação
da produção total

55

Referências
de produto no portefólio

Quem é a Ramirez

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Em 1853, Sebastian Ramirez fundou em Vila Real de Santo António a que é hoje, mais de 170 anos depois, a mais antiga fábrica de conservas de peixe em laboração contínua no mundo. Ao longo de cinco gerações da família Ramirez, a empresa atravessou duas guerras mundiais, a queda de impérios e dezenas de revoluções, sem perder a convicção que esteve na base de sua fundação: o peixe português, bem tratado e preservado com rigor, merece chegar às mesas do mundo.

 

Ramirez Imagem1De Vila Real de Santo António a Matosinhos, passando por Olhão, Albufeira, Setúbal e Peniche, sempre com o mar e o pescado como bússola, a Ramirez, associada da CIP desde 1977, construiu uma história industrial que se funde com a da família. Manuel, filho do fundador, lançou ao mar o Nossa Senhora da Encarnação, o primeiro galeão sardinheiro a vapor português, abrindo as portas a novos mercados internacionais. Emílio Ramirez transferiu a principal unidade fabril para Matosinhos, acompanhando a geografia do peixe e da oportunidade.

 

A abertura da unidade Ramirez 1853 , em 2015, materializou a continuidade com ambição industrial renovada. Foi sob a liderança de Manuel Guerreiro Ramirez, com a geração seguinte da família, que a empresa deu corpo a essa fábrica projetada para responder ao presente sem renunciar ao patrimônio técnico e cultural que a trouxe até os dias de hoje. Com 14 marcas internacionais, 55 referências de produtos e presença em mais de 50 mercados nos cinco continentes, a Ramirez é, ao mesmo tempo, a empresa mais antiga e uma das mais modernas do setor conserveiro mundial. Essa combinação de longevidade com permanente capacidade de renovação é o traço mais distintivo de uma empresa que se aproxima do bicentenário.

 

«O que nos permite estar comemorando 173 anos de atividade e ter o status de indústria de conservas de peixe mais antiga do mundo em operação é a capacidade de evoluir sem perder identidade. A Ramirez tem sabido se adaptar aos tempos — nos processos, na inovação, no domínio comercial —, mas nunca abriu mão do que a define: qualidade, consistência e respeito… ao pescado, aos pescadores, aos seus trabalhadores, aos consumidores, aos mercados. Essa harmonia, entre tradição e modernidade, é o que nos mantém relevantes.»

Manuel Ramirez   · Presidente do Conselho de Administração

Uma operação global com raízes em Lavra

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Na Ramirez 1853, sede e unidade industrial da Ramirez localizada em Lavra, onde a luz natural atravessa toda a fábrica, existe aproveitamento de águas pluviais, robotização do embalamento, visão artificial para inspeção de latas e uma infraestrutura pensada tendo em vista a eficiência e a rastreabilidade. A unidade constitui uma das expressões mais claras da modernização produtiva da empresa. O portefólio inclui 14 marcas internacionais e 55 referências, do atum e da sardinha às especialidades de valor acrescentado, como o bacalhau com grão, o atum assado à algarvia ou os filetes de cavala em azeite com aroma de fumo.

 

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A dimensão da operação ilustra a escala da empresa: 50 milhões de latas produzidas por ano, aproximadamente 200 mil por dia. Metade da produção destina-se à exportação: com presença ativa em mais de 50 mercados, os principais destinos externos incluem França, Inglaterra, Bélgica e os Estados Unidos da América, a par de mercados em crescimento, como o Brasil e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Em 2025, a sardinha Ramirez foi eleita a melhor do Brasil numa prova cega de especialistas, um reconhecimento que ilustra a reputação internacional da marca.

As pessoas que fazem a Ramirez

 

Ramirez Imagem5A Ramirez emprega atualmente 230 pessoas, das quais 80% são mulheres, uma proporção que atravessa transversalmente todas as áreas: administração, laboratório de controlo de qualidade, produção e armazém. A antiguidade média dos colaboradores ronda os 15 anos. Num setor com índices de rotatividade elevados, este indicador demonstra que a Ramirez é um projeto de vida partilhado.

Na fábrica, a automação e o saber manual complementam-se: as linhas mecanizadas asseguram consistência, rapidez e controlo e os sensores e sistemas digitais monitorizam variáveis críticas. Há, no entanto, operações em que a qualidade continua a depender das mãos, do olhar atento e da experiência de quem domina a arte, sobretudo nas conservas mais delicadas, como filetes de sardinha, filetes de cavala ou sardinhas sem pele e sem espinha. A tecnologia garante precisão, mas a autenticidade continua a nascer de um saber-fazer humano que é património imaterial que não se improvisa.

Esta cultura de valorização do conhecimento prático reflete-se em percursos de progressão interna que definem a identidade da empresa. Colaboradoras que começaram como telefonistas lideram hoje o secretariado da administração, os recursos humanos ou a expedição de mercados. A coordenadora das linhas de produção frequentou o Apoio à Família da empresa, em criança, e percorreu, ao longo dos anos, todas as fases do processo produtivo. A responsável do Laboratório de Controlo de Qualidade foi estagiária há 12 anos. Na Ramirez, a progressão interna não é uma mera política de recursos humanos, é um traço da sua identidade.

«Quem está cá há muitos anos percebe que a Ramirez não é só um local de trabalho, é quase uma segunda casa. Há um saber que não se aprende nos livros, que passa de pessoa para pessoa, todos os dias. É esse cuidado, esse “jeito” de fazer, que faz a diferença no produto final e que só se entende verdadeiramente vivendo-o por dentro. Temos orgulho de ser Ramirez.»

Ana João Santos  ·  Coordenadora de Produção

Uma empresa que cuida

O Apoio à Família existe desde a fundação da empresa e nasceu da convicção que atravessa gerações e que, hoje, se traduz num dado singular: mais de 30 colaboradores atuais frequentaram a creche da fábrica em criança. Trabalham agora lado a lado com os pais, as mães, os irmãos, os tios ou os primos. A empresa que emprega famílias, é também parte da sua história, desde o início.

Este apoio acolhe diariamente entre cinco e sete crianças, número que sobe para 10 a 12 em períodos de férias ou de paragem escolar. Os resultados falam por si: menor absentismo, maior estabilidade das equipas e um ambiente de trabalho em que a confiança entre a empresa e os colaboradores é uma prática quotidiana.

A empresa assegura também transporte diário para 60 trabalhadores, de casa para a fábrica e no regresso. O quadro de apoio inclui, ainda, flexibilidade horária em momentos-chave da vida familiar; facilitação progressiva do regresso após licenças parentais; acompanhamento regular em saúde ocupacional; e um conjunto de iniciativas de comunidade, da participação no Banco Alimentar às festas anuais, por ocasião do Senhor de Matosinhos, passando por atividades de team building e oferta de cabazes festivos por ocasião do Magusto, no Natal e na Páscoa.

«As medidas de apoio aos trabalhadores não são apenas um benefício, têm impacto direto no funcionamento da empresa. Equipas mais estáveis, menor rotatividade e um ambiente de confiança traduzem-se em maior eficiência e qualidade. Quando as pessoas sentem que a empresa cuida delas, isso reflete-se naturalmente no compromisso com o trabalho.»

Paulo Machado  ·  Diretor de Produção

Inovação e sustentabilidade

A Ramirez opera com 100% da sua produção assegurada por energia verde, adquirida à rede com o respetivo certificado. Para além disso, investiu 1,5 milhões de euros na instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura da fábrica «Ramirez 1853» e em parte dos 20 mil metros quadrados de solo disponíveis, produzindo localmente 60% da energia de que necessita, o equivalente a 900 MWh.

Uma caldeira de biomassa florestal assegura a produção de calor e um sistema de armazenamento e reutilização de águas pluviais alimenta os circuitos de lavagem de latas e do solo. O objetivo declarado é a autossuficiência energética.

O portefólio de certificações da empresa constitui um ativo estratégico estruturado em três eixos:

  • Excelência operacional e qualidade: ISO 9001:2015: a Ramirez foi a primeira empresa portuguesa de conservas de peixe certificada pela SGS, pelo BRC (British Retail Consortium) e pelo IFS Food, habilitações essenciais para fornecimento a grandes cadeias de distribuição internacionais.
  • Acesso a mercados globais exigentes: homologação pela FDA (EUA), CFIA (Canadá), NRCS/SABS (África do Sul) e conformidade com os referenciais da EFSA.
  • Sustentabilidade e responsabilidade: certificação MSC (Marine Stewardship Council) para a sardinha portuguesa, Friend of the Sea, Sedex (transparência na cadeia de fornecimento e práticas laborais éticas), Kosher e Halal.

A Ramirez mantém laboratórios próprios de controlo de qualidade há mais de 50 anos. Em 2007, criou o CENUTRA — Centro de Nutrição Ramirez, em parceria com instituições académicas e científicas, dedicado à investigação sobre os benefícios nutricionais do consumo de peixe em conserva.

Desafios e visão de futuro

Ramirez Imagem6Os desafios que enfrenta estão claramente identificados. A volatilidade no abastecimento de matéria-prima, em particular o pescado, sujeita a pressões climáticas e regulatórias crescentes, é a variável mais crítica de uma operação que depende diretamente de recursos naturais. A estes juntam-se o aumento dos custos de produção em energia, transporte e embalagens; a pressão regulatória e ambiental; a intensidade da competição global; e a dificuldade crescente em recrutar e reter profissionais com aptidão e interesse para trabalhar na indústria conserveira.

As prioridades estratégicas para os próximos anos organizam-se em torno de quatro vetores:

  • assegurar a continuidade da empresa no seio da família;
  • garantir a sustentabilidade da matéria-prima;
  • investir na inovação de equipamentos e de embalagem;
  • continuar a atrair e reter os recursos humanos necessários à transmissão do conhecimento acumulado.

A visão para o setor é otimista e exigente. A Ramirez perspetiva uma procura crescente por alimentos práticos, saudáveis e de longa duração, território onde as conservas de qualidade têm vantagem competitiva estrutural. O potencial de valorização de produtos premium e inovadores é reconhecido, mas o futuro dependerá, como sempre, da capacidade de equilibrar a tradição e a modernização, e de responder com agilidade aos desafios de abastecimento e ambientais que definem a agenda do setor.

A relação com a CIP

A ligação da Ramirez à CIP – Confederação Empresarial de Portugal vem de longa data e insere-se na missão da empresa enquanto empresa industrial de referência no tecido económico português, e na convicção de que o associativismo empresarial é um instrumento essencial para a representação coletiva do setor industrial.

Manuel Guerreiro Ramirez, Presidente do Conselho de Administração durante mais de 40 anos, integrou várias direções da CIP, participou em fóruns de reflexão estratégica e de discussão de políticas industriais e económicas, partilhou experiências com congéneres internacionais, e foi um dos mentores e executores de um projeto histórico da Confederação: o Código de Boas Práticas Comerciais.

Para a Ramirez, a associação à CIP reflete o enquadramento da empresa nas dinâmicas da indústria nacional, a participação em momentos-chave de afirmação do setor exportador português e o contributo para a valorização da indústria alimentar nos contextos nacional e internacional.