A CIP – Confederação Empresarial de Portugal participou, no passado dia 13 de fevereiro, no diálogo anual do Business at OECD (BIAC) com o Conselho da OCDE, realizado em Paris. No encontro, que reuniu o Secretário-Geral da OCDE, Mathias Cormann, e os Embaixadores dos Estados-Membros, o Diretor-Geral da CIP, Rafael Alves Rocha, contribuiu para a apresentação da agenda empresarial para 2026, centrada na simplificação regulatória, no crescimento económico e no reforço da competitividade internacional.

A reunião constitui um momento estruturante de diplomacia económica empresarial, reunindo confederações empresariais nacionais dos países da OCDE para apresentar, no início de cada ano, as prioridades do setor privado para a agenda de políticas públicas da organização.

Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, fragmentação económica e crescente complexidade regulatória, o BIAC sublinhou a necessidade de reforçar uma ordem económica internacional aberta e baseada em regras, defendendo mercados previsíveis, concorrência leal e estabilidade regulatória como pilares essenciais para o investimento e a produtividade.

Sob o mote «Cutting Complexity: A Simplification Agenda for Growth, Productivity, and Competitiveness», foi apresentada uma agenda estruturada de simplificação centrada em três eixos prioritários:

  • Redução da carga administrativa e simplificação dos procedimentos aplicáveis às empresas
  • Criação de condições para acelerar a inovação e ampliar a participação económica
  • Mitigação de distorções resultantes de intervenções públicas descoordenadas nos mercados globais

No debate foi igualmente enfatizada a importância de preservar um sistema multilateral de comércio robusto e eficaz. A proliferação de restrições comerciais, a fragmentação regulatória e a crescente utilização de instrumentos de política industrial não coordenados colocam riscos acrescidos à estabilidade dos mercados e à atratividade do investimento. Para economias abertas e exportadoras como Portugal, a previsibilidade das regras e o acesso a mercados internacionais são determinantes para o crescimento sustentável.

Foi ainda destacada a relevância da mobilidade internacional de talento como fator estrutural de competitividade. Num momento em que a escassez de competências constitui um dos principais constrangimentos ao crescimento económico, importa promover soluções pragmáticas que facilitem a circulação de trabalhadores qualificados e reduzam barreiras administrativas.

O encontro serviu também de base à preparação da contribuição empresarial para a próxima Reunião Ministerial do Conselho da OCDE, que será presidida pela Finlândia no próximo mês de junho.

A CIP continuará a acompanhar ativamente os trabalhos da OCDE e do BIAC, contribuindo para uma agenda internacional orientada para o crescimento, a produtividade e o reforço da competitividade da economia portuguesa, promovendo um ambiente de negócios mais previsível, favorável ao investimento e ao financiamento empresarial.