«O acordo deverá contribuir para uma maior integração das empresas portuguesas nas cadeias globais de valor, criando oportunidades adicionais de investimento, parcerias empresariais e reforço das ligações logísticas entre a União Europeia e a Índia», afirma o diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha. A indústria automóvel, de componentes e de maquinaria, as áreas das tecnologias e serviços e o agroalimentar, são dos setores que mais poderão beneficiar das futuras condições mais favoráveis de acesso ao mercado.
O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e a Índia representa para a CIP – Confederação Empresarial de Portugal um passo relevante para diversificar mercados de exportação, reduzir dependências excessivas de parceiros tradicionais e reforçar a presença das empresas portuguesas em economias de elevado crescimento. A evolução das trocas comerciais entre Portugal e a Índia na última década foi positiva, mas existe margem significativa para crescer: a Índia corresponde a 1% nas importações e 0,23% nas exportações portuguesas.
«Este acordo cria oportunidades que as empresas portuguesas têm condições para aproveitar, diversificando as suas relações comerciais», afirma Rafael Alves Rocha. O diretor-geral da CIP sublinha, no entanto, que, apesar do anúncio político da conclusão das negociações, a entrada em vigor do acordo dependerá ainda da adoção pelo Conselho e da aprovação pelo Parlamento. «A CIP apela a que haja responsabilidade política das instituições desta vez, não adiando a entrada em vigor deste acordo como sucedeu há dias com o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul», afirma Rafael Alves Rocha
Num contexto internacional marcado por crescentes tensões geopolíticas e por sinais de retração no comércio global, o diretor-geral da CIP valoriza o sinal enviado pela diplomacia económica europeia. «A União Europeia demonstra que continua comprometida com uma agenda de abertura, cooperação e parcerias estratégicas», afirma Rafael Alves Rocha. «A UE e a Índia estão a mostrar como o comércio pode ser uma base sólida para alianças renovadas e parcerias económicas mais estreitas».
As instituições europeias apontam para um aumento significativo das exportações da UE para a Índia quando o acordo entrar em vigor, com estimativas que indicam uma possível duplicação até 2032, à medida que os direitos aduaneiros forem sendo progressivamente reduzidos ou eliminados. Em termos globais, cerca de 96% dos bens exportados para a Índia deverão beneficiar de reduções tarifárias, permitindo uma poupança de quatro mil milhões de euros por ano em direitos aduaneiros sobre os produtos europeus.
Após quase duas décadas de negociações, a União Europeia e a Índia concluíram este acordo de livre comércio abrangente que cria uma nova zona de comércio com dois mil milhões de consumidores. O acordo UE – Índia permitirá um acesso mais favorável das empresas europeias ao mercado indiano, uma economia com 1,4 mil milhões de habitantes e um elevado potencial de crescimento, que tem sido historicamente caracterizada por direitos aduaneiros elevados e barreiras não-tarifárias.
Com taxas de crescimento do PIB acima dos 7%, a Índia é uma economia de grandes oportunidades. A UE representa 17% das exportações da Índia e a Índia representa 9% das exportações da UE. As relações comerciais representam cerca de 120 mil milhões de euros em bens e 60 mil milhões em serviços, totalizando 180 mil milhões ao ano. O acordo abre grandes possibilidades para este número crescer rapidamente, incluindo um capítulo especial para pequenas e médias empresas (PME) com o objetivo de facilitar o acesso à informação sobre como fazer negócios e criar empresas na UE e na Índia.
A CIP está ainda a recolher informação junto dos seus associados, mas antecipa alguns setores com potencial para recolherem maiores benefícios do acordo. É o caso dos setores automóvel, de componentes e de maquinaria, que enfrentavam direitos aduaneiros particularmente elevados no mercado indiano e que poderão ganhar competitividade com a sua redução progressiva. A tecnologia e serviços, nomeadamente serviços digitais, profissionais e financeiros, tenderão igualmente a beneficiar da maior liberalização e cooperação económica. Também o setor agroalimentar, incluindo produtos como vinho e azeite, poderão beneficiar de melhores condições de acesso ao mercado.
«O acordo deverá contribuir para uma maior integração das empresas portuguesas nas cadeias globais de valor, criando oportunidades adicionais de investimento, parcerias empresariais e reforço das ligações logísticas entre a UE e a Índia», afirma Rafael Alves Rocha. «A União Europeia não deverá limitar-se a trabalhar na redução e eliminação dos direitos aduaneiros, mas também abordar outros obstáculos fronteiriços e barreiras internas aos bens e serviços, incentivando o investimento e reforçando a cooperação regulamentar». Segundo a CIP, é fundamental construir um quadro global previsível que desbloqueie novas oportunidades de negócio para ambos os lados.
Fotografia: Representação da Comissão Europeia em Portugal

