Realizou-se no passado dia 16 de janeiro a segunda reunião do Grupo de Trabalho (GT) de Defesa da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, dedicada à análise do reforço do investimento europeu no setor da defesa e ao aprofundamento da cooperação industrial, tecnológica e estratégica. A reunião contou com a participação, enquanto convidados, do Deputado ao Parlamento Europeu Hélder Sousa Silva, de José Neves, Presidente da Associação das Empresas de Defesa (AED), e de Ricardo Conde, Presidente da Agência Espacial Portuguesa.

Esta reunião deu continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito do Grupo de Trabalho de Defesa da CIP, reforçando um espaço de diálogo estruturado entre empresas, decisores políticos e entidades nacionais com responsabilidades nos domínios da defesa, da indústria e do espaço, num contexto europeu marcado por uma crescente exigência de coordenação estratégica e capacidade de execução.

Os trabalhos centraram-se na análise do papel da defesa enquanto vetor de desenvolvimento económico, industrial e tecnológico, sublinhando a importância de assegurar que o reforço do investimento público em defesa se traduza num impacto estruturante para a economia nacional. Foram igualmente debatidos os desafios associados à contratação pública, à previsibilidade dos programas de investimento e à necessidade de modelos que valorizem o ciclo de vida dos sistemas, a capacidade de manutenção e o valor acrescentado local.

A reunião permitiu ainda abordar a relevância da cooperação industrial europeia e da participação das empresas nacionais em consórcios internacionais, bem como os requisitos associados à certificação, à segurança e à capacidade de entrega. Neste enquadramento, foi destacada a importância da harmonização de normas e da redução de barreiras operacionais, incluindo nos domínios da mobilidade e do transporte de equipamentos de defesa.

No domínio da inovação, foram analisadas oportunidades associadas a tecnologias emergentes e de dupla utilização, bem como o papel do setor espacial no reforço das capacidades de defesa e da autonomia estratégica europeia. O acesso ao espaço e a articulação entre políticas de defesa, espaço e inovação foram identificados como fatores críticos neste processo.

A reunião sublinhou ainda a importância de mecanismos de acompanhamento e avaliação do retorno da cooperação industrial e do investimento em defesa, bem como a necessidade de uma articulação eficaz entre entidades públicas e privadas, garantindo uma abordagem de longo prazo alinhada com os objetivos de competitividade e resiliência da economia portuguesa.

A CIP reiterou o seu compromisso em continuar a dinamizar o Grupo de Trabalho de Defesa enquanto plataforma de diálogo estruturado, contribuindo para uma estratégia de defesa que articule segurança, inovação e desenvolvimento económico.