A União Europeia de Hospitalização Privada (UEHP), presidida pelo português Oscar Gaspar (presidente da APHP), acolhe favoravelmente os objetivos ambiciosos e abrangentes para a saúde apresentados no programa da Presidência cipriota do Conselho da União Europeia.
A UEHP subscreve o objetivo de «promover ações que melhorem a vida quotidiana dos cidadãos europeus, reforçando o acesso e a disponibilidade de produtos médicos, fomentando a inovação e reforçando a resiliência e a integração dos sistemas de saúde em toda a UE, em linha com a visão de uma União Europeia da Saúde verdadeiramente autónoma».
Ao adotar uma abordagem estruturada e orientada para o futuro em matéria de política de saúde, espera-se que a presidência cipriota «reforce as ambições da União Europeia da Saúde e coloque firmemente no centro da agenda da UE a resiliência dos sistemas, o acesso aos medicamentos e, sobretudo, o planeamento da força de trabalho, que coloca inúmeros constrangimentos em toda a Europa, com particular destaque para Portugal», afirma Oscar Gaspar.
Prioridades de saúde alinhadas
Tendo em conta o anunciado, é expectável que a saúde tenha um lugar de destaque na agenda da presidência cipriota, com uma ênfase particular na promoção da saúde mental. O enfoque na inclusão e no envolvimento ativo das partes interessadas na elaboração de políticas constitui, para o presidente da UEHP, «uma oportunidade valiosa para o diálogo e para futuras formas de cooperação com organizações ativas neste domínio».
A UEHP espera ainda que o financiamento adequado dos programas de saúde no próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da UE seja igualmente uma prioridade, sobretudo tendo em conta as crescentes preocupações relacionadas com perspetivas orçamentais limitadas. «Reiteramos a importância de um financiamento adequado para a transição digital (incluindo a Inteligência Artificial na saúde) e de que os fundos europeus sejam não discriminatórios entre os prestadores de cuidados de saúde», sublinha Oscar Gaspar.
Num contexto de continuidade do Plano de Ação da UE para a Saúde Cardiovascular, em cooperação reforçada com parceiros internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, para fazer face a ameaças emergentes à saúde; bem como de implementação do Espaço Europeu de Dados de Saúde, aprofundando a integração dos sistemas de saúde e impulsionando a conclusão da União Europeia da Saúde, a UEHP espera também que as questões da interoperabilidade e da cibersegurança sejam desenvolvidas através do diálogo com todos os parceiros dos sistemas de saúde, incluindo os hospitais privados.
Enfrentar a crise da força de trabalho em saúde na Europa
Para a UEHP, a Europa continua a enfrentar uma escassez grave e persistente de profissionais de saúde, que afeta a prestação de cuidados em todos os Estados-Membros. O investimento insuficiente, o planeamento de longo prazo fragmentado e a preparação inadequada enfraqueceram, de acordo com Oscar Gaspar, a capacidade dos sistemas de saúde para responder eficazmente às mudanças demográficas. «À medida que a população europeia envelhece e a população ativa diminui, a sustentabilidade da prestação de cuidados de saúde — e a resiliência do modelo social europeu — ficam cada vez mais sob pressão», observa o presidente da UEHP.
De acordo com a UEHP, ao longo deste período exigente, os hospitais privados em toda a Europa mantiveram-se plenamente empenhados em apoiar os sistemas de saúde, assegurando capacidade essencial e continuidade dos cuidados. A UEHP reitera que uma colaboração forte e estruturada entre prestadores de cuidados de saúde públicos e privados é indispensável para o funcionamento eficaz dos sistemas nacionais de saúde e para a implementação bem-sucedida das iniciativas de saúde na UE. «O objetivo tem de ser, agora, garantir um melhor acesso dos doentes, sem atrasos, favorecendo o diagnóstico precoce e o recurso à especialização para serviços de elevada qualidade», sintetiza Oscar Gaspar.
Perspetivas futuras
De um modo geral, a UEHP considera que o programa da Presidência cipriota reflete uma abordagem abrangente e equilibrada à política de saúde, oferecendo múltiplas áreas para um envolvimento oportuno e construtivo. Um diálogo, o mais rapidamente possível, com as instituições da UE e com as partes interessadas será, de acordo com a UEHP, essencial para fazer avançar prioridades comuns e para assegurar sistemas de saúde resilientes, acessíveis e sustentáveis em toda a Europa. «Torna-se necessário desenvolver uma nova abordagem à otimização de recursos, que envolva um acordo estratégico com os prestadores para definir e implementar soluções eficientes», assegura Oscar Gaspar.
A UEHP e os hospitais privados europeus colocam-se, assim, à disposição da presidência cipriota para trabalhar em conjunto nestas diversas matérias e participar nos trabalhos a desenvolver durante o próximo semestre, em benefício da saúde dos cidadãos europeus.
Fonte: APHP – Associação Portuguesa de Hospitalização Privada

