Os principais protagonistas da Saúde consideram que o setor vive uma situação de subfinanciamento crónico e que necessita de investimento para ser mais eficiente e prestar melhor serviço.

Os oradores da conferência sobre O Valor Económico da Saúde, que hoje decorreu em Lisboa, foram unânimes em considerar que o setor da Saúde tem vivido uma situação de subfinanciamento crónico e que necessita de investimento urgente, para evitar roturas.

Na abertura da conferência, o presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, referiu que “o investimento que fizermos hoje em Saúde é uma aposta no futuro, na inovação, no emprego qualificado e melhor remunerado, na qualidade de vida dos cidadãos e na redução e otimização de encargos”. Concluiu ainda que “olhar para a Saúde exclusivamente na ótica da despesa é desperdiçar uma oportunidade de alavancar o desenvolvimento, pois há um enorme potencial de arrasto sobre a restante economia”.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, na sua intervenção, referiu a necessidade de melhorar o investimento público no setor, destacando que o “orçamento alocado à Saúde para 2017 será superior ao valor do ano passado”.

A conferência organizada pelo Conselho Estratégico Nacional da Saúde da CIP contou com 200 participantes e teve como oradores da bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, o presidente da Fundação para a Saúde, Constantino Sakellarides, e o presidente da Associação de Desenvolvimento e Investigação em Saúde Pública, José Aranda da Silva.

No debate sobre O Investimento em Saúde: Alinhar Portugal com os países da OCDE, os intervenientes foram consensuais em reiterar a ideia generalizada da necessidade de investir mais recursos públicos no Sistema de Saúde, tornando-o mais eficiente e mais seguro.

Para João Almeida Lopes, é necessário ter a consciência de que a despesa per capita em saúde, em Portugal, corresponde a, apenas, 63% da média dos países da OCDE, quando o PIB per capital nacional corresponde a cerca de 70%, e que este fosse entre os dois valores se tem alargado.

Para que a diferença fosse colmatada, seria necessário um investimento anual entre 1,2 e 1,6 mil milhões de euros.

O economista Óscar Gaspar sublinhou valores idênticos e identificou como desafios para a sociedade portuguesa “a minimização das desigualdades sociais” e a implementação de “um sistema de avaliação de tecnologias de saúde isento”.

O economista Augusto Mateus acrescentou a estes os desafios do planeamento estratégico e da mudança de foco da oferta para a procura.
“O sistema tem de estar preparado para responder às necessidades das populações”, disse.