O METAL PORTUGAL encerrou o ano de 2025 com um marco histórico: 24.169 milhões de euros em exportações, o valor mais elevado de sempre para a indústria metalúrgica e metalomecânica portuguesa. Só no mês de dezembro, o setor exportou 1.792 milhões de euros, traduzindo um crescimento homólogo de 3,5%, apesar das perturbações significativas registadas naquele mês, causadas pela crise nas alfândegas devido à implementação deficiente do novo sistema informático.
«É um resultado notável, tendo em conta que o mês de dezembro ficou marcado por atrasos muito significativos no desalfandegamento de matérias-primas essenciais para as nossas indústrias», sublinha Rafael Campos Pereira, Vice-Presidente Executivo da AIMMAP.
Quatro meses no TOP 10 de sempre — um desempenho extraordinário
O ano de 2025 registou quatro meses diretamente inseridos no TOP 10 dos melhores resultados mensais de sempre, consolidando o setor como uma força exportadora absolutamente decisiva para a economia nacional.
- 75% das exportações seguem para países da União Europeia
- 25% destinam-se a mercados extracomunitários
- Os principais parceiros comerciais continuam a ser Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e EUA
- Espanha e Alemanha destacaram-se com o maior crescimento absoluto
As exportações do METAL PORTUGAL representam 33% de toda a indústria transformadora portuguesa, com a taxa de crescimento anual a acelerar de 2% para 3%.
No entanto, o setor enfrenta uma pressão crescente sobre a competitividade europeia e nacional.
«A economia global continua a enfrentar choques macroeconómicos com consequências imprevisíveis. Estamos a assistir a uma mudança estrutural: de um paradigma de globalização para um de protecionismo», alerta Rafael Campos Pereira.
O dirigente reforça que a Europa tem falhado no equilíbrio das suas políticas económicas, deixando desprotegida uma indústria que compete com países que muitas vezes aplicam medidas protecionistas amplas, como é o caso da indústria metalúrgica e metalomecânica que, fruto de medidas europeias desajustadas, está hoje sujeita a um ambiente concorrencial altamente desequilibrado.
«Estes números não se repetirão tão cedo caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar, especialmente no que respeita à proteção da cadeia de valor downstream, onde se incluem milhares de empresas metalúrgicas e metalomecânicas e mais de 13 milhões de trabalhadores a nível europeu.»
«O novo enquadramento europeu para as tarifas sobre a importação de aço, bem como outros regulamentos como o CBAM, estão a penalizar fortemente a competitividade e a situação concorrencial da indústria transformadora, e no médio no curto / médio prazo vão conduzir a Europa para um processo de desindustrialização», fundamenta Rafael Campos Pereira
Nomeadamente, no que respeita às Cláusulas de Salvaguarda, a AIMMAP reuniu recentemente com a DG Trade, que transmitiu uma mensagem inequívoca:
O Governo português deve defender e apoiar a posição da sua indústria transformadora para que seja possível proteger o setor mais exportador do país — o verdadeiro motor do crescimento económico nacional.
Esta posição evidencia uma urgência política: Portugal não pode continuar a ser um mero espectador enquanto medidas europeias penalizam severamente a indústria transformadora, nomeadamente através das tarifas sobre a importação de aço, que criam assimetrias graves em relação a outros competidores globais.
AIMMAP espera ação firme e imediata do Governo
Face ao contributo contínuo, robusto e decisivo do METAL PORTUGAL para o desenvolvimento e a estabilidade económica e social do país, a AIMMAP considera que o Governo português tem a obrigação de agir e implementar um conjunto de medidas capazes de:
- mitigar os efeitos das tarifas europeias sobre o aço,
- garantir condições de competitividade iguais às dos concorrentes internacionais,
- assegurar estabilidade às empresas que sustentam milhares de empregos diretos e indiretos.
«A indústria metalúrgica e metalomecânica tem demonstrado, repetidamente, que é uma âncora da economia nacional. Agora, é urgente que o Governo corresponda com políticas que defendam esta indústria estratégica e assegurem a sua continuidade e crescimento.»
«Obviamente que, neste contexto, vemos com muito bons olhos os acordos assinados entre a EU e o Mercosul, e entre a EU e a Índia e Portugal deve saber aproveitar as oportunidades que vão seguramente surgir. Não tenho dúvida que destes acordos resultará um crescimento do comércio com os dois blocos», e acrescenta, «se a Comissão Europeia e o governo estiverem atentos e alinhados com o acima exposto, estes acordos comerciais são uma oportunidade de ouro para recentrar a economia europeia no mapa geoestratégico mundial».
Fonte: AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal




