O cargo de presidente da Federação Nacional de Associações de Business Angels (FNABA) é suficiente para revelar o quanto Francisco Banha terá a dizer a propósito do capital de risco. Mas esta missão institucional é, na verdade, uma parcela do contributo pessoal, empresarial, financeiro e académico que o especialista em gestão, empreendedorismo, finanças, estratégia empresarial e internacionalização empresta ao tecido empresarial luso, melhor dizendo, ao ecossistema empreendedor português, tão versado nos tempos recentes. Líder associativo, investidor, consultor e docente universitário, Francisco Banha defende que o País tem de exportar mais e produzir valor acrescentado, argumentando que o futuro está nas startups e no investimento que nelas é efetuado. Investimento esse que, por força dos argumentos que recolhe quotidianamente em várias economias mundiais e também em bons exemplos nacionais, deverá passar pelo capital de risco e pelos business angels.

Na Conferência CIP da passada semana, Francisco Banha sublinhou que a sobrevivência do tecido empresarial nacional “depende da capacidade de conseguirmos aumentar a capacidade de exportar/diminuir importações”, acrescentando que deverá ser objetivo dos Governos “colocar o peso das exportações no PIB entre 45 e 50%, face aos atuais 41%”. O caminho indicado pelo líder da FNABA resume-se ao seguinte: “adequada estrutura de capitais e acesso ao Conhecimento”.

Evangelizador dos conceitos de business angels e de capital de risco no nosso País, Francisco Banha faz questão de ressalvar a fórmula de sucesso que está na sua base: “capital + apoio na gestão + experiência + contactos”. Uma fórmula que sustenta o impacto económico desta tipologia de investimento. Na Europa, os investimentos realizados entre 2004 e 2103, pelos business angels, em 3.208 startups, traduziram-se num upgrade, médio, de revenues de 724,4 mil euros para 1.8 milhões de euros e num aumento médio de 5 para 15 empregados. Enquanto isso, nos EUA, é possível falar no que Francisco Banha apelida de experiência divina: em 2013, 298.800 business angels investiram 25 mil milhões de dólares em 70.739 novos projetos, facto que resultou na criação de 290 mil postos de trabalho.

Somando a estes dados os da vizinha Espanha, onde os investimentos realizados por business angels e fundos de capital de risco deram origem a aumentos no emprego, na produtividade, nas vendas e nos resultados brutos, Francisco Banha é perentório: “estes resultados demonstram que o CR / BA pode não ser a fórmula mágica para sair da crise, mas certamente deverá dar um grande contributo”.

Por cá, em Fevereiro deste ano, foi criada uma nova linha de financiamento para business angels, no montante de 15 milhões de euros, para investir até setembro de 2015, mas o presidente da FNABA antecipa que esta “já está totalmente comprometida”. Francisco Banha sublinha que oportunidades por potenciar não faltam: não apenas na lógica do capital humano (há 75 mil investigadores em Portugal e apenas 24% estão nas empresas), como das estruturas de suporte à inovação e ao empreendedorismo (o especialista fala em “excelentes” Incubadoras, Parques Tecnológicos, Aceleradoras e Ninhos de Empresas, distribuídos pelo País).

Francisco Banha, não deixa igualmente de salientar a sua grande satisfação pelo facto do método de ensino do Empreendedorismo “learning by doing” já ter sido implementado, só pela Gesentrepreneur, em mais de 300 escolas secundárias portuguesas, em cujas acções, estiveram envolvidos, de 2006 a 2014, 1448 professores e 55.830 alunos, o que o leva a acreditar que “em breve o Ministério da Educação será sensível a este movimento e consequentemente a introduzir a educação do empreendedorismo nos seus conteúdos programáticos”.

Da inspiração ao investimento

O representante das associações portuguesas de business angels é também presidente do Grupo Gesbanha, assim como fundador e CEO da Gesventure, GesEntrepreneur, Lisbon Angels e Blue Early Investments. Fundou e preside, ainda, à Associação Portuguesa de Investidores em Start-Up’s, primeiro clube de business angels português, em atividade desde 2000. No campo associativo internacional, destaca-se como membro da direção da WBAA (World Business Angels Association) que ajudou a fundar, sendo que, entre 2007 e maio deste ano, foi também diretor da EBAN (Rede Europeia de Business Angels).

Paralelamente, exerce, desde 1986, funções de assessor e consultor nas áreas administrativas, contabilísticas, fiscais, económicas e financeiras, colaborando com diversas empresas nacionais e multinacionais. É ainda consultor de capital de risco, corporate finance, empreendedorismo, estratégia empresarial, tecnologias de informação, internet, agrobusiness e fiscalidade.

Cumpre igualmente identificar Francisco Banha como business angel na Sociedade Panificadora Estrela de São Cristóvão, ORTIK, Waymedia e Waybox, assim como fundador e ex administrador dos projetos Move Interactive, Zonadvance, Key4kids, além de referir as suas responsabilidades de presidente da mesa de Assembleia-geral da Biotrend e da Critical Ventures.

Francisco Banha é licenciado em Organização e Gestão de Empresas, tem um Mestrado em Gestão e um MBA em Estratégia Empresarial. É professor de Empreendedorismo e Venture Capital no MBA do ISEG, desde 2008, e responsável pela cadeira de Empreendedorismo no Mestrado Luso-Moçambicano do ISG, desde 2011.

Autor dos Livros “ Impacto da Fiscalidade no Sector de Capital de Risco” e “Capital de Risco os Tempos estão a Mudar”, Francisco Banha dinamiza o blog www.franciscobanha.com onde pretende “expor ideias e dar opiniões, lançar pistas e visões sobre o Empreendedorismo nacional e internacional, nas suas vertentes comportamentais, sociais, educacionais e empresariais”.