Nos comentários da CIP (ver aqui) ao Relatório apresentado pelo PS intitulado “Uma Década para Portugal”, a Confederação refere que tem defendido que o grande desafio da política orçamental nos próximos anos consiste em conciliar a consolidação das finanças públicas, por forma a possibilitar a redução gradual da dívida pública para níveis mais sustentáveis, com o estímulo ao crescimento económico, nomeadamente através da redução da carga fiscal, de medidas de fomento do investimento privado e da retoma do investimento público reprodutivo. Para tal é necessário avançar decisivamente na Reforma do Estado.

A CIP considera que o documento veio abrir um saudável debate no espaço público, mas que é omisso em questões de grande importância para as empresas, como, por exemplo, o problema das dívidas das entidades públicas às empresas, que é urgente resolver definitivamente, proporcionando uma importante entrada imediata de liquidez na economia, ou como a necessidade de atuar sobre os elevados custos da energia elétrica e do gás natural. De igual modo, a política transversal de PME e Empreendedorismo está praticamente ausente do relatório, bem como a necessidade de proceder a avaliações de impacto das propostas legislativas, incluindo testes de competitividade e PME, com o objetivo de assegurar um enquadramento legislativo e regulatório mais favorável à atividade empresarial.

A Confederação sublinha que continua a defender uma redução mais expressiva mas seletiva da TSU (apenas para setores setores de bens e serviços transacionáveis).

Por fim, a CIP entende, no que respeita ao investimento público, que a prioridade deverá ser colocada nas infraestruturas para a competitividade, nomeadamente ao nível dos transportes e logística, com vista a uma melhoria da conectividade internacional. É o caso da melhoria das condições dos portos existentes e da ampliação do Porto de Sines, das linhas ferroviárias interoperáveis de transporte de mercadorias que os vão ligar à Europa (a saber, os corredores Aveiro – Salamanca – Irún e Sines – Caia – Madrid), das plataformas logísticas e das redes de transporte de energia.