Défice de qualificações da população adulta é o principal entrave ao crescimento da economia portuguesa

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. Apenas 36,8% da população portuguesa com mais de 25 anos concluiu o ensino secundário. A convergência de Portugal para os valores medianos atingidos pelos países da UE+OCDE, permitiria um crescimento adicional do PIB de 1,26 p.p., em termos anuais, ou de 13,3 p.p. numa década.

. A ineficiência do sistema bancário nacional tem também exercido um efeito de travão sobre o crescimento da economia portuguesa, custando ao PIB nacional 0,9 p.p. a cada ano.

Documento disponível aqui.

O estudo “Crescimento da Economia Portuguesa”, realizado pela Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, para a Associação Missão Crescimento, conclui que a falta de qualificações da população adulta, a par com a ineficiência do sistema bancário, têm sido dois dos principais entraves ao crescimento da economia nacional.

De acordo com a análise hoje apresentada no Congresso CIP 2019, uma duplicação do valor atual da percentagem de população adulta com ensino secundário completo, poderia traduzir-se num crescimento adicional de 1,26 p.p. em termos anuais e de 13,3 p.p. no espaço de uma década.

A educação e formação da população com mais de 25 anos apresenta-se como o fator com maior impacto potencial no crescimento da economia portuguesa, nomeadamente ao nível do ensino profissional e da qualificação de quadros intermédios. Note-se que, apesar de Portugal ter níveis de ensino superior que ficam 10 p.p. aquém da mediana dos países da UE+OCDE, o país apresenta uma percentagem de trabalhadores sobrequalificados, ou seja, com um nível de escolaridade superior ao exigido pelo trabalho, de 24%, um valor que é 7 p.p. superior à média da OCDE. Números que “indicam uma afetação ineficiente dos recursos e uma qualificação dos trabalhadores desajustada a uma parte significativa da procura do mercado, além de uma reduzida sofisticação tecnológica das empresas portuguesas”, concluem os autores do estudo.

Com um impacto considerável no crescimento potencial da economia portuguesa aparecem igualmente os indicadores relativos ao investimento, com destaque para os que atestam da eficiência do sistema bancário nacional. Uma redução dos custos operacionais dos bancos, por um lado, e do crédito malparado, por outro, para valores próximos dos valores medianos apresentados pelo conjunto dos países UE+OCDE, equivaleria a um crescimento do PIB nacional de 6,85% e de 9,5%, respetivamente, a 10 anos. “Os elevados custos operacionais, um indicador da ineficiência dos bancos, representam em muitos casos um sobredimensionamento do setor financeiro”, notam os autores. Da mesma forma, “a percentagem de crédito malparado no crédito total pode dar-nos uma medida da eficiência do sistema bancário (e do sistema financeiro em geral). O sistema financeiro desempenha um papel essencial na alocação dos recursos. Uma elevada percentagem de crédito malparado representa uma ineficiência dos bancos no processo de alocação de crédito. Percentagens elevadas de crédito malparado suscitam questões em relação à qualidade da governação dos bancos e da avaliação de risco dos projetos”, concluem.

Ainda entre os indicadores relativos ao investimento, destaque para a formação bruta de capital fixo, em percentagem do PIB, cujo incremento de apenas 0,05 p.p. traduzir-se-ia num crescimento adicional da economia portuguesa 0,5 p.p. por ano, ou 5,25 p.p. a 10 anos. Também a travar o potencial de crescimento económico estão o tempo necessário para fazer cumprir um contrato – que é em Portugal de 755 dias – e a concessão de crédito a empresas públicas ou detidas pelo Estado, cerca de 21% do PIB nacional. Indicadores, cuja convergência para os valores medianos dos países da UE+OCDE, implicariam um crescimento económico de 2,84 p.p. e 1,86 p.p., respetivamente, para um período de 10 anos.

Além da educação e formação e do investimento, o estudo aborda ainda, como fatores determinantes para o crescimento económico, a qualidade das instituições e governança e o progresso tecnológico. Os autores concluem que Portugal tem especial margem de progressão no que toca à qualidade da regulação, nomeadamente quanto à capacidade do Governo adotar políticas que promovam o desenvolvimento do setor privado. Também as exportações de alta tecnologia, medidas em percentagem das exportações totais de bens produzidos, têm um impacto estimado de 2 p.p. a 10 anos, implicando a mais que duplicação dos valores atuais.

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