Consumo, investimento e exportações em abrandamento

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Já está disponível a publicação trimestral de análise de conjuntura Envolvente Empresarial – Análise de Conjuntura, referente ao terceiro trimestre de 2019, uma iniciativa conjunta AEP, AIP e CIP.

Nesta edição, realçamos:

  • Os novos dados das contas nacionais, na nova base 2016 (com nova informação e ajustamentos metodológicos), levaram a revisões acentuadas na taxa de crescimento do PIB em volume, que passou para 3,5% em 2017 e 2,4% em 2018. No primeiro trimestre de 2019, a taxa de crescimento passou para 0,6% em cadeia e 2,1% em termos homólogos.
  • Já no segundo trimestre, a variação em cadeia não se alterou, mas o crescimento homólogo reduziu-se para 1,9% – o valor mais baixo desde o segundo trimestre de 2016.
  • A desaceleração em termos homólogos abrangeu o consumo (privado e público), o investimento e as exportações, tendo a menor dinâmica das importações evitado uma evolução mais desfavorável do PIB.
  • Os dados mais recentes sugerem um novo abrandamento do PIB no terceiro trimestre, atendendo à descida do indicador coincidente do Banco de Portugal em julho e agosto.
  • O FMI reviu as projeções de crescimento real do PIB de Portugal para 1,9% em 2019, 1,6% em 2020 e 1,5% de 2020 a 2024, já incluindo o efeito positivo associado à mudança de base das contas nacionais, tal como as projeções do Conselho de Finanças Públicas (CFP), que coincidem no valor de 2019, mas são um pouco mais otimistas nos anos seguintes (1,7% em 2020 e 2021, 1,6% em 2022 e 1,5% em 2023).
  • Na análise do CFP, “a redução [do crescimento] esperada para 2019 reflete, por um lado, o abrandamento (…) das exportações devido a um quadro internacional e procura externa menos favoráveis e, por outro lado, a moderação da expansão da procura interna, em particular do consumo privado”.
  • O Banco de Portugal reviu em alta a projeção de crescimento real do PIB em 2019 para 2,0% no Boletim Económico de Outubro.
  • No Projeto de Plano Orçamental para 2020, num cenário de políticas invariantes, o Governo optou por manter a projeção de crescimento de 1,9% em 2019, mas reviu em alta a estimativa de 2020 para 2,0%, valor que traduz uma ligeira aceleração face a 2019, em vez do abrandamento previsto pelo FMI e pelo CFP.
  • De acordo com o Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal, os não residentes continuaram a aumentar o seu peso no financiamento das empresas.
  • As taxas de variação anual do crédito total e do crédito bancário a sociedades não financeiras foram positivas para todos os principais setores de atividade, com exceção da eletricidade, gás e água. A gradual recuperação do crédito a empresas poderá estar associada ao crescimento do investimento.
  • Ainda de acordo com o Banco de Portugal, “pelas suas características – tipicamente mais jovem, com maior nível de escolaridade e maior taxa de atividade – a população estrangeira poderá potenciar a dinâmica do mercado de trabalho nos anos vindouros”.
  • “O VAB por trabalhador registou um crescimento de 0,4% em termos homólogos [no primeiro semestre]. O contributo intersetorial para o crescimento da produtividade foi positivo, refletindo (…) uma orientação dos fluxos de emprego para setores mais produtivos, nomeadamente os mais expostos à concorrência internacional”.
  • As limitações na oferta de trabalho e a dinâmica da procura têm contribuído para aumentar a pressão sobre os salários. A evolução das remunerações reflete igualmente o maior dinamismo da contratação coletiva. O impacto do crescimento dos salários sobre os custos unitários das empresas foi mitigado pela evolução da produtividade.
  • No período de janeiro a agosto, as exportações de bens registaram um crescimento homólogo de 2,1%, inferior à subida de 7,4% das importações – ambos em abrandamento face à dinâmica observada em 2018.
  • No segundo trimestre assistiu-se a uma quebra na quota de mercado de bens, após uma melhoria pouco significativa no primeiro trimestre.
  • No período de janeiro a julho, a balança de bens e serviços registou um saldo negativo de -946 milhões de euros, em contraste com o excedente de 1,2 mil milhões de euros no período homólogo de 2018, a refletir um agravamento do défice nos bens e um menor excedente nos serviços.
  • No mercado secundário de dívida pública, a yield soberana de Portugal a 10 anos atingiu um novo mínimo mensal de 0,17% em agosto, que pouco se alterou em setembro.
  • No segundo trimestre, a taxa de desemprego recuou para 6,3%, face a 6,8% no trimestre anterior e 6,7% no homólogo.
  • O preço médio do gasóleo em Portugal registou uma quebra homóloga no terceiro trimestre, a refletir a evolução da cotação do barril de brent.
  • A taxa de inflação homóloga de Portugal (medida pelo IHPC) recuou no terceiro trimestre, tonando-se negativa (-0,4%), tendo-se acentuado o diferencial negativo face à Área Euro.
  • A competitividade-custo da economia nacional voltou a recuperar no segundo trimestre, devido à depreciação nominal do euro e ao diferencial negativo na variação dos custos laborais unitários.
  • O Projeto de Plano Orçamental para 2020 (PPO), enviado pelo Governo à Comissão Europeia, num cenário de políticas invariantes, reviu em alta a projeção de saldo orçamental em 2019 para -0,1% do PIB, face a -0,2% no Procedimento de Défices Excessivos, o que, segundo o Governo, se justificou pelo “melhor comportamento da receita”.
  • No que se refere à previsão de saldo orçamental em 2020, o PPO procedeu a uma revisão em baixa para 0,0% do PIB (base de 2016) – face a 0,3% do PIB (base de 2011) no Programa de Estabilidade.
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