Categoria: Intervenção Pública



“Adotemos uma cultura de pagamentos pontuais”

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Temos assistido a avanços e recuos no lento processo de regularização de dívidas aos fornecedores por parte do setor público

Leia aqui o artigo de opinião desta semana assinado por António Saraiva na sua coluna semanal do Dinheiro Vivo, ao sábado.
Publicado no Dinheiro Vivo, edição de 15.04.2017

“É grande a responsabilidade dos empresários na recuperação de um clima de confiança, não só nos mercados, mas em geral no tecido social em que vivemos.

E a face mais visível de criação de confiança passa, naturalmente, por adotar, perante a sociedade, práticas socialmente responsáveis, entre as quais destaco a assunção de princípios de ética e responsabilidade empresarial, como referencial de conduta no mundo dos negócios.

Toda a relação empresarial deve ser baseado no claro respeito pelo compromisso. Este é, por isso, um domínio a que tenho dado prioridade, na minha intervenção como presidente da CIP, nomeadamente em matéria de pagamentos pontuais.

E a prática de uma conduta responsável não permite exceções. Também o Estado e as entidades públicas têm de ser exemplo no respeito pelos seus compromissos comerciais.

A este respeito, tenho insistido – e continuarei a insistir – na responsabilidade do Estado liquidar os seus pagamentos às empresas a tempo e horas e a de acionar mecanismos que permitam a regularização das dívidas a fornecedores por parte dos hospitais, autarquias locais e regiões autónomas.

Temos assistido a avanços e recuos no lento processo de regularização de dívidas aos fornecedores por parte do setor público, que chegaram a ultrapassar os 3.000 milhões de euros.

A Saúde é uma das áreas paradigmáticas do desequilíbrio entre o Estado e os seus fornecedores. Depois de uma significativa redução de dívidas a partir de finais de 2013, assistimos, no ano passado, a novos aumentos, concentrados nas dívidas dos hospitais, em quase todos os meses.

Os números de dezembro dão conta de uma forte redução pontual, em resultado de uma injeção extraordinária de capital, mas em janeiro e fevereiro agravaram-se de novo.

Os pagamentos em atraso (dívidas por pagar há mais de 90 dias) do total das administrações públicas eleva-se ainda a perto de mil milhões de euros, mais precisamente 978 milhões de euros, segundos os dados de fevereiro da Direção Geral do Orçamento.

Sofremos as consequências de um ciclo vicioso dos pagamentos em atraso. Foram muitas as empresas que encerraram a sua atividade por força deste desequilíbrio e falta de previsibilidade. Foram muitos os trabalhadores que perderam os seus postos de trabalho. Este contexto é um verdadeiro cancro da nossa economia.

Trabalhemos, em uníssono, por uma nova economia baseada no saudável equilíbrio entre o Estado e os seus fornecedores.

A edificação um ciclo virtuoso de pagamentos pontuais será um bom ponto de partida.”

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  Categoria: Assuntos Económicos, Destaque, Intervenção Pública


“Sucesso e boa governação”

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Só através do sucesso e dos resultados gerados as empresas poderão contribuir para a criação de valor e de emprego.

Leia aqui o artigo de opinião desta semana assinado por António Saraiva na sua coluna semanal do Dinheiro Vivo, ao sábado.
Publicado no Dinheiro Vivo, edição de 08.04.2017

“Comemoram-se este ano os 30 anos da FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares.

Ao longo das três últimas décadas, em Portugal, a indústria agro-alimentar tem sabido responder aos desafios com que se tem deparado.

Funcionou, até à adesão à então Comunidade Europeia, num mercado protegido, com pouca concorrência e sem grandes exigências.

Funciona hoje num mercado aberto, observa a cada vez mais exigente legislação ambiental, introduziu sistemas evoluídos de garantia da qualidade e da segurança dos alimentos, certificou as suas empresas, apostou em novas tecnologias de produção e na diferenciação e qualidade dos produtos, adaptando-os aos gostos dos consumidores.

Tem-se internacionalizado, tem investido e atraído investimento, tem sabido aproveitar as suas especificidades e tem inovado.

Como este, muitos outros setores da nossa economia têm conseguido, num ambiente adverso e em constante mutação, modernizar-se e requalificar-se, alcançando um novo posicionamento na economia global. De alguns, como o têxtil ou o calçado, dizia-se que estariam condenados ao desaparecimento.

Como o conseguiram?

O mérito está, certamente, nas empresas que formam os nossos setores produtivos: empresas que tiveram a resiliência necessária para resistir, inovar e prosperar. Dentro delas, o mérito está nas pessoas que as formam: empresários e trabalhadores. Está também na forma como se conseguiram organizar.

Nesta linha, realço a importância da boa governação, que deve ser vista como um relevante fator de competitividade.
Em primeiro lugar, porque a boa governação empresarial tem como primeiro objetivo garantir, numa perspetiva de longo prazo, a sua perenidade e a manu-tenção e subsistência dos seus postos de trabalho.

Esta visão de governação tem também inerente uma dimensão social, porque só através do sucesso e dos resultados gerados as empresas poderão contribuir, de forma determinante, para a criação de valor e de emprego. E é esse o principal papel que lhes compete desempenhar na sociedade.

Em segundo lugar, uma boa governação – na medida em que faz agrupar os seus elementos à volta de uma ética e de uma conduta, contribuindo para a diferenciação de uma cultura empresarial – constitui um fator indiscutível de motivação generalizada que determina uma maior produtividade da empresa.

Todas as crises são ocasião de prova. Estou certo que, após a maior crise económica que Portugal conheceu nas últimas décadas, a generalidade das empresas que hoje constituem o nosso tecido produtivo soube dar provas de uma governação responsável.”

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  Categoria: Destaque, Intervenção Pública, Notícias


“Crescimento e pedras na engrenagem”

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Procuremos soluções para os grandes desequilíbrios que afetam a nossa economia, mas não deixemos de olhar para o dia-a-dia das empresas.

 

Leia aqui o artigo de opinião desta semana assinado por António Saraiva na sua coluna semanal do Dinheiro Vivo, ao sábado.
Publicado no Dinheiro Vivo, edição de 01.04.2017

“Depois da confirmação do valor de 2,1% do défice público em 2017, tivemos, esta semana, novos sinais positivos para a economia portuguesa.

As taxas de juro da dívida pública estão, finalmente, a corrigir em baixa, com a rentabilidade implícita nas obrigações a dez anos já abaixo dos 4%, num contexto mais favorável à perceção de risco do país.

O Banco de Portugal reviu em alta as suas projeções de crescimento para 2017 para 1,8%, sendo esta evolução sustentada num forte dinamismo das exportações – com ganhos de quota de mercado – e do investimento empresarial.

Esta é a prova de que são as empresas que estão a puxar pela economia.

Contudo, não podemos ficar tranquilos com estes resultados. Sobretudo porque, ao contrário do que seria desejável, as projeções apontam para o abrandamento do crescimento em 2018 e 2019.

Os problemas e os bloqueios com que a economia nacional se defronta – nomeadamente o desemprego e o endividamento, público e privado – só poderão ser ultrapassados quando regressarmos à rota da convergência real com os nossos parceiros da União Europeia. Ora, o ritmo de crescimento económico projetado é, ainda, inferior ao necessário para reiniciar o processo de convergência.

São apontadas duas condições para um maior crescimento: aprofundar a orientação de recursos para empresas mais expostas à concorrência internacional e mais produtivas, e continuar o processo de redução do elevado nível de endividamento dos vários setores.

Acrescentaria uma outra condição: a remoção das inúmeras “pedras na engrenagem” que continuam a bloquear o funcionamento das empresas e a sua competitividade.

Tivemos, recentemente, mais um exemplo destas “pedras”. Refiro-me ao processo de reformulação do sistema de gestão de embalagens e resíduos de embalagem.

Surpreendentemente, no final de um processo que se arrasta desde 2010, as empresas que colocam produtos embalados no mercado viram fixado o dia 31 de março de 2017 como data limite para assinar um contrato com uma de duas entidades gestoras, sem que estejam ainda definidos os valores a pagar.

Tudo indicava, portanto, que, sob pena de sanções, as empresas estavam a ser forçadas a escolher entre duas ofertas não diferenciadas e incompletas, e a assinar contratos na ignorância do que viriam a ter de pagar.

Felizmente, e resultado da intervenção que desenvolvemos na CIP, à última hora imperou o bom senso e o prazo foi prorrogado por um mês.

Procuremos soluções para os grandes desequilíbrios que afetam a nossa economia, mas não deixemos de olhar para o dia-a-dia das empresas e para as pequenas ou grandes “pedras na engrenagem” que, cumulativamente, são provavelmente o principal constrangimento a um desenvolvimento sólido e sustentado do nosso país.”

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  Categoria: Assuntos Económicos, Destaque, Intervenção Pública