Categoria: Assuntos Internacionais



“Uma semana com o foco na Europa”

2019-07-08-rio-de-janeiro

Negociado durante 20 anos, o acordo com o Mercosul será o maior que a UE já estabeleceu.

Leia aqui o artigo de opinião desta semana assinado por António Saraiva na sua coluna semanal do Dinheiro Vivo, ao sábado.
Publicado no Dinheiro Vivo, edição de 06.07.2019

https://www.dinheirovivo.pt/opiniao/uma-semana-com-o-foco-na-europa/

Esta semana foi marcada por dois factos particularmente relevantes.

O primeiro, menos mediatizado, foi a conclusão das negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

Negociado durante 20 anos, o acordo com o Mercosul será o maior que a União Europeia já estabeleceu, eliminando gradualmente as tarifas que vigoram nas trocas comerciais entre as duas regiões e facilitando às empresas europeias o acesso a um mercado emergente (mas ainda muito fechado) de 266 milhões de consumidores.

Para além das vantagens que trará, contribuindo para a intensificação e diversificação das exportações das empresas portuguesas em destinos onde temos importantes vantagens competitivas (basta pensar no Brasil), o acordo é também um forte sinal do compromisso da União Europeia na defesa de um sistema de comércio aberto e baseado em regras internacionalmente aceites. A este respeito, é de notar que está prevista a salvaguarda dos padrões europeus de segurança dos alimentos e de proteção dos consumidores, incluindo ainda compromissos específicos em matéria de direitos laborais e de proteção do ambiente.

Depois dos acordos concluídos com o Canadá, Japão, Singapura e, também esta semana, com o Vietname, este acordo consolidará a União Europeia à frente de um processo de integração económica através de acordos com parceiros-chave, reforçando, assim, o seu posicionamento na economia mundial.

É essencial, agora, que o processo de aprovação não sofra contrariedades e que o acordo com o Mercosul comece rápida e efetivamente a ser implementado no terreno.

O segundo facto da semana foi o difícil, mas conseguido, consenso alcançado no Conselho Europeu para a escolha de quem, nos próximos anos, irá liderar o rumo da União Europeia, à frente das suas diversas instituições.

Se alguma lição pode ser retirada de um processo cujos contratempos abalavam já a credibilidade da Europa, é a de que os difíceis equilíbrios em jogo não se coadunam com decisões tomadas por um núcleo restrito de países, por mais poderosos que sejam.

O processo não está concluído, nem livre de percalços, uma vez que o Parlamento Europeu tem ainda a última palavra na eleição da Presidente da Comissão Europeia e do próprio colégio de Comissários. A paz institucional ainda não está garantida.

Daqui a cinco anos, no final do ciclo político que agora começa, o mundo e a Europa já não serão os mesmos. Espero que as personalidades agora escolhidas sejam capazes de responder às mudanças que se perspetivam, como verdadeiros líderes, com uma visão do futuro capaz de pôr em marcha projetos comuns, mobilizadores de vontades coletivas.

De facto, precisamos de líderes empenhados na construção de uma Europa mais equilibrada, mais coesa e mais próspera.

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  Categoria: Assuntos Internacionais, União Europeia


“Internacionalização entre ameaças e oportunidades”

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Leia aqui o artigo de opinião desta semana assinado por António Saraiva na sua coluna semanal do Dinheiro Vivo, ao sábado.
Publicado no Dinheiro Vivo, edição de 29.06.2019

https://www.dinheirovivo.pt/opiniao/internacionalizacao-entre-ameacas-e-oportunidades/

A evolução da economia após a crise mostra bem como as empresas portuguesas souberam olhar para as oportunidades dos mercados globais, e fazer delas a base da recuperação económica.

Contudo, à medida que se vai esgotando a capacidade disponível das empresas e a possibilidade de crescimento com base em aumentos do emprego, o desempenho das exportações tem vindo a esmorecer.

Acresce que a onda de protecionismo que hoje vivemos representa uma séria ameaça, com consequências na retração dos fluxos comerciais e nas decisões de investimento das empresas.

Face à escalada na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o FMI veio já alertar que o aumento das tarifas poderá levar à redução de 0,5% do crescimento mundial para 2020.

Neste contexto, há três grandes mensagens que considero cruciais:

A primeira é que temos de recusar a fatalidade do protecionismo.

A Europa tem de se manter firme na preservação de um sistema de comércio internacional baseado em regras comuns e prosseguir com a celebração de Acordos de Comércio Livre bilaterais, por forma a garantir o crescimento do seu comércio internacional.

A recente carta de sete líderes europeus (incluindo o Primeiro Ministro português) apoiando a Comissão nos esforços para a conclusão do Acordo com o Mercosul é um facto político a assinalar positivamente, mas também um sinal de que nem todos estarão a remar no mesmo sentido (a ausência do Presidente francês entre os signatários foi particularmente notada).

A segunda mensagem é que qualquer tentativa de centrar a estratégia económica no estímulo à procura interna, esquecendo as exportações, terá como inevitável consequência o retorno a desequilíbrios insustentáveis, que voltarão a travar o crescimento.

Os resultados económicos do primeiro trimestre deste ano, que já tive ocasião de comentar neste espaço, são um sinal de alerta. Regressámos, nos últimos doze meses, a um défice na balança comercial, depois de seis anos de excedentes.

Consequentemente, a terceira mensagem é que os riscos e incertezas da conjuntura mundial não podem desencorajar a internacionalização.

Pelo contrário, tornam mais evidente a necessidade de um esforço conjunto das instituições públicas, das empresas e das suas estruturas associativas em torno de uma estratégia coerente, nas suas diversas vertentes: o aumento da capacidade de oferta, a diferenciação e valorização dos bens e serviços exportados, a capacitação de mais empresas para a internacionalização, o alargamento das cadeias de valor e a diversificação dos mercados.

Tanto mais que a dimensão da nossa economia torna possível que, mesmo num cenário de algum arrefecimento da procura global, pequenos aumentos de quota de mercado à escala mundial se traduzam por acréscimos significativos dos volumes exportados pelas empresas portuguesas.

Transformemos, pois, em oportunidades as atuais ameaças à internacionalização.

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  Categoria: Assuntos Internacionais


Delegação romena debate com a CIP formas de melhorar ambiente de negócios

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A CIP – Confederação Empresarial de Portugal reuniu, no dia 16 de maio, com uma delegação constituída por dez representantes do Ministério do Ambiente Empresarial da Roménia e cinco do meio académico romeno, e um elemento da DGAE – Direção Geral das Atividades Económicas, para discutir políticas que melhoram o ambiente de negócios das PME.

Os principais temas abordados foram o diálogo entre as empresas e o Estado, a simplificação administrativa, o acesso ao financiamento, a digitalização, e o Small Business Act.

A visita da delegação romena insere-se no âmbito de uma visita a Portugal, cofinanciada pela União Europeia, que decorre entre os dias 13 e 17 de maio, com o objetivo de dialogar com instituições portuguesas sobre políticas públicas implementadas em Portugal na área da Economia.

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  Categoria: Assuntos Internacionais, Destaque